CULTURA – cultivo contínuo!

Ana Maria Nogueira Rezende*

Cultura, no meu pensar, de historiadora por vocação e gestora cultural por necessidade, é tudo que acontece à minha volta.
A palavra cultura origina do latim cultura, cultivar o solo, cuidar. Pode ser caracterizada como conjunto de atitudes e modos de agir, de costumes, de instituições e valores espirituais e materiais de um grupo social, de uma sociedade, de um povo.
Na Grécia antiga a palavra cultura significava cultivo da terra, ensinamentos que deviam ser passados de geração para geração. Os gregos usavam o termo ‘paideia”, para o conjunto de conhecimentos que se devia transmitir às crianças (criança = paidós), daí Pedagogia, que é a maneira de levar a criança ao conhecimento. Porém um século antes de Cristo acontecia em Roma, algo muito comum em nossa sociedade atual, a presença de estrangeirismos e a necessidade de adequá-los a realidade local. Os romanos sabiam que paidéia era o conjunto de conhecimentos que se devia transmitir às crianças, mas não queriam utilizar o mesmo termo grego, aderiram ao termo cultura com significado intelectual, moral, conjunto de idéias e valores.
Hoje, cultura pode ser definida de diversas formas, nos remetendo a um passado longínquo ou próximo, ações que fazemos no nosso cotidiano. Citamos que alguém não tem cultura por jogar papel na rua, ouvir certo tipo de música, leitura que realiza, modo de falar, vestir ou outra característica peculiar. Cultura está presente em nossos hábitos, desde a hora que acordamos, até a hora que dormimos e durante o nosso sono, reflexo dela, são os nossos sonhos.
Guimarães Rosa, em sua obra Sagarana, mencionou aspectos comuns ao interior mineiro, numa vastidão de exemplos de cultura popular. A novela São Marcos retrata as superstições, as crendices e fé do povo mineiro. As superstições são passadas de gerações para gerações e mesmo não acreditando é bom não abusar, atesta os mais crédulos, como na novela São Marcos.
Cultura popular minha gente, acontece em todo lugar seja nos grandes centros ou nos rincões desse imenso país. Não desprezem o que a vovó fala. E muito menos, zombem das tradições ainda preservadas, elas nos contam muito. A Folia de Reis, o Congado, a Encomendação de almas, as Cavalhadas, a fé em São Jorge na Igreja e em Ogum no Terreiro, são exemplos de patrimônio imaterial, fazem parte de nossa diversidade cultural e merecem resguardo!
A terminologia da palavra cultura, “ura ou uro” sugere algo que ainda deve ser trabalhado, cultivado.
Acredito, na minha modesta avaliação sobre cultura, que esta deve ser cultivada, dia-a-dia num esforço contínuo do semear, cuidar e colher.

Ana Maria Nogueira Rezende, formada em História pela Universidade de Itaúna

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