São José e a enchente das goiabas

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Ana Maria Nogueira Rezende*

Segunda-feira, 19 de março de 2007.
Uma segunda-feira comum entre outras tantas, senão fosse o fato de sair do interior, da cidade de Itaguara, onde minha família reside e viajar até Belo Horizonte, para cuidar de assuntos particulares, quando digo particulares podem saber, são históricos e culturais.
Então vamos à viagem: saí de Itaguara, às 05 horas da manhã, de carona com uma amiga, sua irmã e seu pai. Cheguei na capital mineira às 07 horas, cedo para o meu compromisso principal no IEPHA-MG, às 10:30 horas, então aproveitei para ir ao ICAM, rever amigos e conversar um pouquinho sobre cultura, mesmo assim era cedo; então aproveitei para fazer uma coisa que sempre tive vontade, mas nunca encontrava tempo devido aos afazeres que sempre trazia do interior para resolver em Belo Horizonte, (quem mora em Itaguara ou cidades vizinhas sabe do que estou falando, ir à capital, não é passeio e sim necessidade) entrar na igreja de São José. E não é que escolhi o seu dia, 19 de março.
Na igreja estava terminando a primeira missa da manhã, reparei alguns fiéis colocando saquinhos pequeninos no altar, fiquei curiosa, mas com medo, pois aquele não era o meu habitat, minha curiosidade aumentou quando vi senhores com ternos recolhendo os saquinhos, tomei coragem fui ao altar e peguei um saquinho, o abri, estava lá dentro simpatia de São José para não faltar dinheiro durante o ano, com moedinha, no ano seguinte é necessário repetir a simpatia, deixando dezenove saquinhos com a simpatia numa igreja. Percebi então o significado do recolhimento dos saquinhos pelos seguranças, aqueles “homens com ternos”; simpatia é uma prática não recomendável pela igreja católica. Carrego a simpatia de São José para todo lado e qualquer dinheirinho recebido coloco lá dentro, afinal não quero ficar sem.
Saindo da igreja o tempo estava feio, parecia que chover grosso, me lembrei ser dia da “enchente das goiabas”, aprendi isso no interior de Itaguara, como gosto de falar, meus avós e tios falavam que esse dia era de muita chuva e não fica uma fruta no pé, por isso o nome, pensei descendo as escadas da igreja de São José, “é hoje que me molho toda”, mas os tempos mudaram muito e não caiu uma gota d’água na capital, provavelmente as goiabas caíram de podres no chão, isto é, se na capital ainda tiver goiabeiras.
Enfim tomei caminho para os meus compromissos, ICAM, IEPHA-MG e depois para o bairro de Santa Tereza, imortalizado em composições de artistas mineiros, lá me encontrei com Edinho, saxofonista espetacular, numa igreja que remete a Ouro Preto do século XVIII, descobri que a igreja de Santa Tereza e Santa Teresinha, só parece com as igrejas barrocas, foi construída na década de 1930, para não deixar o antigo Curral del Rei desprovido da arquitetura colonial mineira, já que a antiga igreja de Boa Viagem, foi demolida.
Terminado meus compromissos, fui para a rodoviária da capital, onde como uma boa mineira, comi um pão de queijo e tomei um mate-couro.

*Ana Maria Nogueira Rezende, formada em História pela Universidade de Itaúna, membro do Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira-ICMC e pesquisadora do projeto Centro-Oeste Mineiro- História e Cultura . E-mail: anitarezende@gmail.com

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